IPQ? ISO? Não, obrigado!

By nunojsilva

É oficial. Na nossa democracia (tal como em muitas outras democracias por este mundo fora), o procedimento usado pelo instituto nacional que rege a aprovação e manutenção de normas é: deixar as empresas que submetem as normas decidir (se tiverem dinheiro suficiente!).

Cheira-me a que isto é profundamente anti-democrático, mas deve ser apenas uma comichãozinha nas costas, já que, por cá, tudo se processa da forma mais democrática possível

Mas, contas feitas, há uns bons meses atrás, não me lembro de ter ouvido “Bill Gates ganhou as eleições legislativas com maioria absoluta”, mas sim “José Sócrates” ou “o PS”. Serão Bill Gates e José Socrates a mesma pessoa?

É que, depois de haverem portáteis a 150 € em que se paga à Microsoft pelo software deles (e em que não foi aprovada sequer a hipótese de distribuir software da Microsoft e software livre (o termo técnico para isto é monopólio, o que não cai nada bem na integridade de um governo)), e de ter sido permitido a esta empresa, que nem é europeia, presidir a uma comissão para votar o Microsoft OpenXML como norma ISO, e convidar as suas parceiras do costume do mercado nacional, e ainda negar o acesso às empresas rivais, impõe-se esta questão. E ainda outra: Portugal é uma democracia (ainda que representativa)?

Qualquer que seja a resposta às perguntas, só sei uma coisa: a partir deste momento, não vou ter em conta nem a ISO nem o IPQ para saber que normas, procedimentos e formatos devo usar, porque pelos vistos o que conta não é a qualidade, a utilidade nem qualquer outro tipo de atributo válido, mas sim a quantidade de dinheiro na conta bancária de quem faz a norma.

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